Câncer de boca

quarta-feira, dezembro 7, 2011 @ 03:12 PM
Autor: web

O autoexame não ajuda a diagnosticar precocemente o câncer de boca de maneira tão efetiva quanto o exame feito por um dentista. Ultimamente, têm sido feitas várias campanhas de divulgação do autoexame do câncer de boca. Artigos científicos mostram a contribuição das campanhas de conscientização para qualquer tipo de câncer.

No caso do câncer de boca, elas também são importantes para informar a população sobre o problema e suas consequências. Afinal, muitas pessoas nem sabem que o câncer de boca existe nem quem procurar quando isso acontece. E pior: não costumam fazer um check-up da boca regularmente nos dentistas. Preocupam-se mais com o corpo e fazem exames regulares pedidos por médicos. Mas deixam de lado a saúde bucal, o que é um erro.

O paciente até deve observar alguns sinais de alerta como feridas que não cicatrizam em duas semanas, dente mole sem motivo aparente, sangramento, caroços ou bolinhas duras, inflamações e inchaço na boca. Mas dificilmente vai conseguir perceber que estes sinais podem ser um grande problema quando faz o autoexame. Geralmente, as pessoas deixam passar mais tempo do que deveriam para procurar um dentista mesmo depois que detectam alguns desses sinais. E, então, pode ser tarde.

A responsabilidade pelo diagnóstico do câncer de boca não pode ser transferida para o paciente. Todo dentista deve ter consciência plena que o diagnóstico precoce de qualquer lesão na boca é de sua completa responsabilidade. Entretanto, o paciente tem que visitar o dentista regularmente – no mínino uma vez por ano, como faz geralmente com seus médicos.

E essa visita ao dentista não é apenas para ver se tem cárie ou doenças inflamatórias na gengiva. Mas para checar se tem alguma lesão na boca que pode ser câncer. O dentista deve avaliar todos os tecidos da boca do paciente e não somente os dentes como acontece na maioria das vezes. E, também, deve fazer o exame preventivo, chamado de citologia esfoliativa – o mesmo realizado para o diagnóstico precoce do câncer de colo uterino.

O exame deve ser feito até mesmo quando não há nenhuma lesão clinicamente visível para um diagnóstico seguro. Se for identificada alguma lesão, o dentista tem de fazer uma biópsia imediatamente ou encaminhar o paciente para que esse procedimento seja feito por um dentista preparado para isso. As radiografias da boca também são absolutamente importantes no diagnóstico de tumores, que acontecem nos ossos da face. Elas devem ser feitas rotineiramente – principalmente a radiografia panorâmica.

Quanto mais inicial for o diagnóstico do câncer de boca, menos invasiva será a cirurgia para sua remoção. O paciente, neste caso, terá menos sequelas e mais chances de cura. Entretanto, em mais de 60% dos casos essa doença é diagnosticada em estágio tardio. Nessas condições, o índice de mortalidade do câncer de boca chega a 59% dos casos no Brasil.

E dos casos diagnosticados tardiamente que são curados, os paciente ficam com graves sequelas que comprometem completamente sua vida. Ficam desfigurados e com problemas psicológicos. Não são raros relatos de pacientes que dizem que preferiam morrer a ter recebido um tratamento tão agressivo.

De acordo com dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de boca é o 5º tipo mais frequente em homens e o 7º em mulheres. Estima-se que, no ano de 2010, o Brasil tenha tido cerca de 14 mil novos casos dessa doença. Pode até parecer um número baixo. Mas em um espaço de tempo de 10 anos, são 140 mil pessoas diagnosticadas com câncer de boca. Desses, aproximadamente 70% são em homens.

Entre as principais causas do câncer de boca, estão o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas destiladas. Nos últimos anos, várias pesquisas científicas têm mostrado que outro ator entrou em cena como um dos causadores do câncer de boca: o HPV. Este é o mesmo vírus causador do câncer de colo uterino.

Essa situação está relacionada com a mudança de comportamento sexual da população. As pessoas estão se relacionando com um número maior de parceiros. E esse vírus é transmitido para a boca por meio do sexo oral. Com isso, é importante também alertar pacientes, que não fumam e nem ingerem bebidas alcoólicas, sobre a importância da citologia esfoliativa como exame preventivo de câncer de boca. Isso porque esses pacientes são considerados de baixo risco por não beberem nem fumarem, mas podem ter câncer de boca contraído pelo HPV.

Diante deste cenário, os pacientes até devem fazer o autoexame para procurar se têm alguma alteração na boca. Mas qualquer alteração só sinaliza que um dentista deve ser procurado imediatamente para um exame mais detalhado. O ideal não é esperar que isso aconteça para cuidar da saúde bucal. O melhor mesmo é criar o hábito do check-up no dentista assim como no médico. O exame sistemático de prevenção de câncer de boca, feito por profissional capacitado, sempre será mais eficiente que um autoexame.

Autor :Arlindo Aburad é dentista, doutor em Patologia Bucal pela USP e professo r unversitário.
Fonte: http://www.midianews.com.br/?pg=opiniao&idopiniao=2769

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